NA CAPITAL Roubos a ônibus neste ano superam todo 2016

Entretanto, os assaltos a coletivos caíram 44,6%, em julho deste ano, em comparação a junho, segundo a SSPDS

Representantes da Segurança Pública e do Sindiônibus concederam entrevista coletiva sobre os resultados da operação Passageiro Seguro ( Foto: Thiago Gadelha )

Usuários e trabalhadores dos transportes coletivos que circulam em Fortaleza vivenciam, cotidianamente, o medo de serem roubados. Nos sete primeiros meses de 2017, os registros de assaltos aos ônibus urbanos já superam o total de ocorrências do ano passado. De janeiro deste ano até o fim de julho, foram contabilizados 1.688 assaltos. Já nos doze meses de 2016, foram 1.557 ocorrências.

A média mensal do ano corrente é de 241,14 assaltos, enquanto a média de 2016 foi de 129,75 roubos por mês. O acréscimo de registros apresentado neste ano é de 85,84%.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) divulgaram, ontem, que, em julho último, os assaltos aos coletivos reduziram 44,6%, em relação ao mês de junho deste ano. Para o titular da Pasta, André Costa, a melhora nos números se deve à intensificação da Operação Passageiro Seguro.

De janeiro de 2017 até maio, os roubos a coletivos cresciam mês a mês. No quinto mês deste ano, o panorama se agravou e chegou ao ápice, com 355 assaltos. Mas em junho caiu para 287 registros e em julho, para 159.

O presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, reitera a necessidade de reverter o quadro de violência. Segundo ele, a média diária de quatro assaltos saltou para oito. "Queremos retornar à normalidade e ir em busca da continuidade das reduções dos índices. Em julho, já foi apresentada uma queda", afirmou.

Abordagens

Conforme o levantamento da Secretaria da Segurança, policiais militares realizaram 1.762 abordagens a ônibus, na Capital, entre o dia 10 de julho deste ano e o último dia 30. "O trabalho deve ser incansável e não pode parar um dia sequer. Quero que as abordagens sejam feitas de domingo a domingo", disse o secretário André Costa.

A Pasta projeta realizar, no mínimo, dez abordagens a ônibus, em cada uma das Áreas Integradas de Segurança (AIS) da Capital, por dia. Em julho último, apenas a AIS 2 (Conjunto Ceará e bairros próximos) e a AIS 3 (Messejana e proximidades) superaram 210 abordagens, em três semanas.

Como motivo para a insuficiência da maioria das Áreas, representantes da Polícia Militar ressaltaram que o volume das abordagens ficou comprometido devido ao aumento das outras ocorrências. Já André Costa quer mais abordagens às passageiras mulheres.

"Pude perceber que muitos dos assaltantes são adolescentes. No geral, homens e mulheres vêm participando desses assaltos. Sabemos que boa parte dos fortalezenses são usuários de ônibus. Nosso empenho é justamente evitar o crime", disse o titular da SSPDS.

A auxiliar administrativa Natália Almeida, 24, é exemplo de quem depende dos coletivos diariamente. Segundo ela, a insegurança está presente, inclusive, nos terminais. "No ônibus que eu fui assaltada, o 'cara' tinha subido dentro do terminal. Não vejo essa redução dos roubos na prática. É comum eu descer de algum ônibus com medo", disse a mulher, enquanto aguardava em uma parada de ônibus no Bairro de Fátima.

Segundo André Costa, nos próximos meses, a operação Passageiro Seguro utilizará detectores de metal. "Já foram sete armas de fogo apreendidas no último mês. O bandido que fizer assalto a ônibus não vai saber nem dia, nem local, nem a hora que a Polícia vai estar presente. Estamos com mais viaturas nas ruas e isso nos permite intensificar o trabalho", prometeu-se o secretário da Segurança.

Enquete

Há segurança nos coletivos?

"Me sinto inseguro. Para mim não mudou com essa operação, ainda não vi uma blitz. Eu já fui assaltado em um ônibus perto do Genibaú. Todos que usam transporte coletivo têm a sensação de insegurança".

Edilson Ferreira
Analista de suporte de informática

"Agora, que eu estou vendo essas abordagens, me sinto mais segura. É muito melhor para a gente.
Durante a noite, na Avenida Silas Munguba, eu já vi várias vezes. Se essas abordagens ficarem frequentes, vai ajudar".

Girlene Santos
Técnica de enfermagem
 por Emanoela Campelo de Melo - Repórter
Diario do Nordeste

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