QUADRILHA ESPECIALIZADA Membros da GDE se preparavam para atacar bancos

Quatro pessoas morreram, entre elas três suspeitos e um cliente da lotérica, na tentativa de assalto ao carro-forte, no bairro Parque São José ( Foto: Helene Santos )
Rafael Epifânio da Silva seria o líder do grupo e já responde a quatro crimes de roubo e um de homicídio, na Justiça

O bando de criminosos responsável pela tentativa de assalto a um carro-forte, que recolhia malotes de dinheiro em uma lotérica no Parque São José, é formado por membros da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) e se preparava para ações ainda maiores. Após investigação e análise dos últimos crimes cometidos pela quadrilha, a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), da Polícia Civil, afirmou que o próximo passo do grupo era assaltar agências bancárias do Estado.

A afirmação veio uma semana após o confronto entre policiais e criminosos, que agiam dentro de um mercantil. A troca de tiros, na noite do último dia 11 de julho, deixou quatro mortos e três feridos.

Ao analisar a reincidência dos criminosos e os três últimos roubos atribuídos ao grupo, o delegado adjunto da DRF, Diego Barreto, afirma que a quadrilha vinha se capitalizando por meio dos valores roubados, comprando armas de maior calibre e se preparando para realizar assaltos a bancos. A Polícia Civil considera a possibilidade de os crimes ainda acontecerem, apesar da prisão de três suspeitos de integrarem o grupo, pois o chefe do bando continua solto.

Foragido

De acordo com Barreto, o suspeito Rafael Epifânio da Silva premeditou e esteve à frente da tentativa de assalto no bairro Parque São José e de mais dois ataques criminosos: o assalto a um carro-forte, na Granja Lisboa, no dia 11 de abril deste ano, que vitimou um vigilante, e pelo assalto a uma lotérica dentro de um mercantil, em Maranguape, no último dia 30 de junho. Em cada um desses atos, o bando levou em torno de R$ 50 mil.

"Desde o roubo no mês de abril, iniciamos a investigação contra essa quadrilha. Conseguimos identificar três integrantes. Um deles era o Cristian de Oliveira Lopes, que morreu na ação do Parque São José. Acreditamos que eles vinham planejando, há pelo menos três meses, essa ação", acrescentou Barreto.

O líder do bando é de alta periculosidade, segundo a Polícia. Epifânio responde, na Justiça, a quatro roubos, de 2002 para cá, além de um homicídio. Para o delegado-adjunto da DRF, os valores subtraídos nos últimos assaltos serviram para adquirir o fuzil 7.62 utilizado na tentativa de assalto ao carro-forte, no dia 11 de julho. A arma ainda não foi encontrada e, conforme a Polícia Civil, é provável que ainda esteja em poder de Rafael Epifânio.

"Enquanto uma quadrilha como essa não tiver freio, ela continua agindo, e cada vez de forma mais agressiva. Eles queriam ganhar cada vez mais, com cada crime. Acreditamos que essa foi a primeira vez que eles usaram o fuzil", afirmou Barreto.

Na semana passada, a Polícia Civil divulgou o nome de sete suspeitos de participar da última tentativa de assalto. No entanto, as autoridades investigam a possibilidade do grupo ser ainda maior. Quando conseguir localizar Epifânio, a Polícia espera que mais detalhes do crime sejam revelados e mais membros do bando sejam identificados.

"Pode ter mais gente dessa quadrilha solta. Os que estavam na linha de frente foram identificados, mas há a probabilidade de mais deles estarem no entorno observando e terem escapado quando começou o confronto. O Epifânio tem participação em ações ainda maiores. Ele é o mais experiente do bando, é quem tem os contatos", revelou o delegado adjunto da DRF.

A Polícia tem recebido diversas denúncias anônimas acerca da localização do líder do grupo. Algumas das informações foram checadas e comprovadas pelos policiais. Porém, o integrante da GDE vem se deslocando rapidamente entre um logradouro e outro. "Contamos com a ajuda da população para encontrá-lo. Esperamos prendê-lo o mais rápido possível", disse Barreto.

Confronto

Por volta das 18h30 do dia 11 de julho de 2017, a quadrilha, que tentava levar malotes de dinheiro recolhidos da lotérica de um mercantil, foi surpreendida por policiais civis. No confronto, morreram três suspeitos e um cliente da lotérica. O titular da DRF, Raphael Vilarinho, e dois vigilantes que resguardavam o carro-forte ficaram feridos por tiros, mas foram rapidamente socorridos e estabilizados.

Dois dias após a ação criminosa, a Especializada capturou três suspeitos. Desde então, Raimundo dos Santos Neto, Eduardo Alves da Silva Júnior e Francisco Gledson Nogueira de Lucena seguem presos. Dois dos presos negam participação no crime.

 Emanoela Campelo de Melo - Repórter
Diario do Nordeste

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