DEPREDAÇÃO Detentos se rebelam e ateiam fogo na CPPL II

A Sejus diz que está apurando as causas do movimento. Uma fonte da Pasta afirma que houve uma briga entre GDE e a massa carcerária ( Foto: Cid Barbosa )

Os presos tocaram fogo em colchões no fim da tarde de terça (13), iniciando um incêndio criminoso. Seis presos feridos foram levados para o hospital

Uma rebelião na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II), que começou no fim da tarde de terça-feira (13) e seguiu até a manhã de ontem, terminou com registros de incêndios e de vários presos feridos. Conforme informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), as causas da confusão na unidade do Complexo Penitenciário de Itaitinga II, estão sendo apuradas.

No entanto, há duas motivações apontadas pela Pasta como principais para o confronto: a descoberta de um túnel, na manhã da última terça; e uma briga entre internos decorrente da chacina de Horizonte, em que uma criança de três anos foi morta. As mulheres dos detentos, que estiveram, ontem, na frente do Complexo, dizem que a revolta se deu porque a facção Guardiões do Estado (GDE) estaria tentando obrigar presos, que não são adeptos de nenhuma organização, a se aliarem a ela.

Os presos tocaram fogo em colchões, no fim da tarde de terça (13), iniciando um incêndio criminoso.
Agentes penitenciários plantonistas e o Grupo de Ações Penitenciárias Especiais (Gape) controlaram o tumulto, disse a Sejus. Seis presos ficaram feridos e precisaram ser levados ao hospital e outros, em uma quantidade não divulgada, tiveram ferimentos leves e foram atendidos na Penitenciária.

Algum tempo depois, os detentos voltaram a se rebelar na CPPL II. À noite, queimaram muitos colchões nas quadras do presídio, o que dificultou a nova intervenção de agentes penitenciários. Desta vez, policiais militares foram acionados, conforme ressaltou a Sejus.

O Corpo de Bombeiros também foi chamado e conteve as chamas. Somente por volta de 9h30 de ontem, "agentes penitenciários da unidade prisional, do Núcleo de Segurança e Disciplina (Nused) e do Grupo de Ações Penitenciárias Especiais (Gape) haviam controlado algumas vivências e policiais do BPChoque (Batalhão de Policiamento de Choque) e Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) entraram para controlar as demais", afirmou a Sejus. Mais dois presos foram levados ao hospital. Apesar do incêndio, a Secretaria avaliou que os danos foram de pequenas proporções.

Segundo o presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), Cláudio Justa, a rebelião durou, aproximadamente, 16 horas e os detentos tentaram depredar celas da Penitenciária.

Uma fonte ligada à Sejus, que preferiu não se identificar, afirmou à reportagem que os presos da Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima (antiga CPPL I), que fica no mesmo Complexo Penitenciário, também se agitaram e tentaram danificar o equipamento, durante a noite.

Motivação

O presidente do Copen, Cláudio Justa, afirma que detentos da CPPL II pediram a transferência de outros presos, que seriam de uma facção criminosa rival. Segundo o presidente do Conselho, após a rebelião, a Sejus acatou os pedidos e transferiu mais de 116 detentos para outra unidade prisional. A Pasta negou que tenha feito as mudanças.

A fonte da Sejus, que preferiu não se identificar, confirmou a versão das companheiras dos detentos e disse que a principal razão para a rebelião foi uma briga generalizada entre membros da GDE e o que é chamado de 'massa carcerária, ou seja, os presos que não aderiram às facções.

A GDE estaria buscando mais adeptos e teria acabado fazendo ameaças e causado a reação dos outros detentos.

A fonte já havia dito que os detentos estão separados por facções dentro das penitenciárias e que a 'massa carcerária' está distribuída em todos as unidades, por isto, acaba ficando vulnerável a este tipo de pressão.

Diario do Nordeste

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