Mais presos fogem da CPPL III, que abriga membros do PCC



A titular da Sejus, Socorro França, se reuniu com o Copen, a Defensoria Pública, agentes penitenciários e a juíza corregedora dos presídios, Luciana Teixeira, para conversar sobre a fuga e a situação do Complexo Penitenciário II ( Foto: Nah Jereissati )

Três supostos integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) fugiram da Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), no Complexo Penitenciário de Itaitinga II, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), ontem. Conforme uma fonte da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), houve apoio externo de pessoas que disponibilizaram transportes para os criminosos se distanciarem do Complexo.

De acordo com o presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), Cláudio Justa, que visitou a penitenciária horas após a fuga, os detentos cavaram um túnel para sair da cela e fizeram buracos por baixo das grades, para deixar a prisão. Já a Sejus disse que os internos abandonaram as celas após quebrarem os combogós, usarem uma corda de lençóis e cortarem as grades alcançando a área externa. Isto já havia acontecido na última fuga, em abril deste ano, quando 44 presos escaparam.

Somente após Marcos Antônio da Silva, Aldeir de Sousa Medeiros e Thiago Brilhante da Silva Costa deixarem a unidade, a fuga foi percebida por agentes penitenciários, que tentaram impedir a ação atirando contra eles. Porém, o grupo que estava do lado de fora para dar apoio logístico aos fugitivos surgiu e trocou tiros com os agentes, conforme apurou o Copen. Ninguém ficou ferido no tiroteio.

Após a ação criminosa, a Sejus reforçou a segurança do presídio com a presença do Grupo de Ações Penitenciárias Especiais (Gape) e com o apoio da PM, através do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e do Comando Tático Motorizado (Cotam).

A titular da Pasta, Socorro França, se reuniu com o Copen, a Defensoria Pública, agentes penitenciários e a juíza corregedora dos presídios, Luciana Teixeira, para conversar sobre a fuga e a situação do Complexo Penitenciário II. A reportagem apurou que, na oportunidade, os servidores da Sejus reivindicaram melhores condições de trabalho e de segurança à secretária, para resguardarem a sua integridade física e evitarem novas ações criminosas no presídio.

A familiar de um interno da CPPL III disse à reportagem que a administração do presídio proibiu que visitantes realizassem entrega de materiais aos detentos da unidade até segunda-feira, em decorrência da fuga.

Recorrência

O ano de 2017 tem sido tumultuado na CPPL III, que abriga presos ligados ao PCC.
Logo em janeiro, uma tentativa de fuga foi evitada pela Polícia, mas um detento acabou morto e um PM foi baleado na cabeça, nas costas e no braço, durante o confronto.

Depois da crise que se instalou em presídios de todo o Brasil, com mortes e fugas em massa, ainda em janeiro, os presos pressionaram o Governo para serem separados por facções criminosas. Em seguida, os detentos ligados ao PCC, custodiados principalmente na CPPL III, intensificaram as tentativas de fuga. No dia 13 de março, 11 presos escaparam da unidade prisional por um túnel. Dois dias depois, em vistoria na unidade, a Sejus encontrou mais quatro túneis, entre iniciados e finalizados.

O que vinha se anunciando aconteceu na noite de um sábado, 29 de abril: uma fuga em massa. O espaço dos combogós das paredes das celas foi aberto pelos presos e 44 detentos fugiram. Policiais militares que faziam a segurança nas guaritas tentaram contem a evasão com tiros, mas não conseguiram.

Para o presidente do Copen, Cláudio Justa, "a CPPL III é uma unidade vulnerável". "Quando teve a quebradeira de maio de 2016, houve uma degradação muito grande das unidades. É tanto parte delas foram tomadas pelos presos rebelados. Na CPPL III, inúmeros túneis foram construídos nesse período. Eles (detentos) ficaram muito tempo cavando. Existe uma reminiscência desse período. Os acessos estão mapeados e a CPPL III teve essas fugas porque abriga uma facção extremamente organizada. É uma peculiaridade do PCC, não se vê ações com apoio externo nas outras unidades", completou Justa.

A respeito da quebradeira citada pelo presidente do Copen, as CPLLs II e III permanecem danificadas e os presos não são mantidos nas celas, mas circulando dentro das vivências.

Reforço

Segundo Justa, a reunião realizada entre a Sejus e órgãos já citados deixou claro que o Sistema Penitenciário cearense, principalmente o Complexo Penitenciário de Itaitinga II, precisa de reforço, pois o efetivo de agentes penitenciários é insuficiente para a demanda e incapaz de conter ações criminosas violentas, como a de ontem.

"O agente penitenciário, por perfil, não é uma função militarizada. Uma resposta de fogo externo só pode ser dada pela Polícia. É importante estudar o perfil criminológico dos internos, sobretudo os membros de facções, para que se tenha um aparato de segurança mais presente, seja realizado pela Polícia Militar, seja capacitando e armando agentes. Do modo como está, a situação se torna muito vulnerável para os agentes e, consequentemente para a sociedade, porque uma fuga de presos dessas é um risco muito grande. Eles são do PCC, a facção melhor articulada do País", analisou Justa.
 por Messias Borges - Repórter
DN

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