Chacina teve participação de 100 policiais, afirma Ministério Público

Como fora antecipado pela mídia em junho deste ano, mais de 100 policiais podem ter tido algum envolvimento, direta ou indiretamente, com a "Chacina de Messejana". A comissão do Ministério Público do Ceará (MPCE) que investigou os 11 homicídios tem convicção que o grupo é pelo menos duas vezes maior que os 45 policiais que foram identificados pelas provas técnicas e denunciados. 44 tiveram a prisão preventiva anunciada na última terça-feira (30), mas muitos coautores dos crimes devem ficar impunes.
A afirmação foi enfatizada mais de uma vez na coletiva de imprensa do MPCE, realizada na manhã de ontem, para abordar o fim do sigilo em que transcorria o caso. O evento, realizado no Auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, contou com o procurador-geral do Estado, Plácido Barroso Rios, o representante da 1ª Promotoria do Júri, Marcus Renan Palácio, e membros do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), coordenado pelo promotor Manoel Epaminondas Vasconcelos. Na ocasião, o grupo apresentou vídeos e áudios que corroboram para a denúncia dos 45 policiais.


A força-tarefa do Ministério Público passou 65 dias debruçada sobre a chacina, acompanhando o depoimento de 240 testemunhas e coletando as provas mais diversas sobre os crimes, originando o total de 3.300 laudas de descrição, separadas em 12 volumes, com três anexos. O relatório final da denúncia foi resumido em 300 páginas.


Segundo o MPCE, os criminosos escolheram as vítimas arbitrariamente, sem oferecer chances de defesa, e cometeram as execuções. Quem testemunhasse os homicídios também virava alvo do massacre, para não deixar vestígios. Sem valer das chamadas provas testemunhais, a investigação se baseou principalmente nas provas técnicas. Imagens das câmeras de monitoramento de residências e do comércio nos bairros Curió e São Miguel, na Grande Messejana; a utilização das antenas da rede de telefonia móvel, identificadas como Estação Rádio Base (ERBs) pelos celulares; os laudos periciais; e a localização das viaturas policias pelo sistema GPS foram tecnologias utilizadas para identificar a participação dos policiais na maior chacina da história de Fortaleza.


Apesar da ajuda da tecnologia, o Ministério Público afirmou que não havia condição de provar a participação de mais policiais na chacina, apesar das imagens demonstrarem isso, e que as denúncias foram feitas de forma responsável para não culpar nenhum inocente. "Essas provas nos dão uma maior segurança no que estamos apresentando ao Poder Judiciário do Ceará, tanto que, quase na totalidade da opinião do Ministério Público foi recepcionado pelo colegiado de juízes determinado pelo Tribunal de Justiça do Ceará para acompanhar esse caso", afirmou o procurador-geral da Justiça, Plácido Barroso Rios.


A denúncia foi entregue à Justiça no último dia 15 de junho. Mais de dois meses depois, a 1ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza expediu a prisão preventiva de 44 policiais, que se apresentaram no dia seguinte, anteontem, ao 5º Batalhão da Polícia Militar (Centro).


Frieza


O relatório final do Ministério Público detalha minuciosamente os catalisadores da represália violenta dos policiais e a chacina realizada na madrugada do dia 12 de novembro de 2015. Para organizar os fatos, o grupo responsável pelo documento dividiu a história em nove episódios.


"Essas mortes que nós apuramos não advieram de operações ou embates policiais. As pessoas que morreram foram assassinadas friamente. Pessoas que se ajoelharam para não morrer. Entretanto, as vidas que foram encontradas naquela noite tenebrosa não foram poupadas. Morreram 11 inocentes que não apresentaram reação", concluiu o procurador Plácido Barros.


Além de expedir as prisões preventivas, o recebimento da denúncia pela 1ª Vara do Júri, composta especialmente para esse caso por um colegiado de três juízes, marcou a primeira audiência para o dia 7 de outubro deste ano, para depoimento das sete pessoas que foram alvejadas na ação criminosa, mas sobreviveram. "O próximo passo é manter a força-tarefa para acompanhar a instrução processual, que é justamente as testemunhas e as perícias serem ratificadas na presença do colegiado. Nós esperamos concluir esse processo o mais rápido possível", completou o procurador-geral.


Diário do Nordeste


Via Erivando Lima

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